A Odisséia da Centopéia

Trata-se de uma obra inacabada de John Jox, um dos últimos rascunhos dos seus cadernos que foram resgatados dos escombros da casa onde ele viveu em Montego Bay.

Esta obra inova por se dividir em cantos (na verdade, estrofes) com irritantes repetições internas, mas relativamente independentes entre si. A única coisa comum a todos eles é a referência à centopéia no final de cada um deles.

A Odisséia da Centopéia


Canto I

Dona Mauricéia,
comendo geléia
no meio da assembléia,
viu uma centopéia!
Foi uma paranéia!
Gritou: "esta mocréia
desta centopéia
é uma seborréia!"
E tacou-lhe a geléia!
Riu-se toda a platéia,
pois dona Mauricéia,
que se dizia atéia,
e sofria de apnéia,
julgava que geléia
era panacéia
pra veneno de centopéia.

Canto II

Pastava a vaca
junto com a macaca.
De repente, cai uma jaca
com cheiro de inhaca
sobre o lombo da vaca.
Mas que urucubaca!
A irritada vaca
culpou a macaca
por conta da jaca.
A pobre macaca
estava de ressaca
e nem viu a faca
que a louca vaca
sacou da casaca.
Por conta da jaca
fedida a inhaca,
morreu a macaca.
Ganhou uma placa,
sobre uma estaca
onde se destaca
(além da jaca)
uma centopéia
vestida de vaca.


Canto III

O urubu
foi pra Caruaru
dançar Maracatu.
Comeu um sururu,
com cajá-umbu;
deu-lhe um buruçú!
O pobre urubu
ficou todo nu,
procurando caju
num mandacaru.
Comprou um baú,
de um sapo cururu
e foi pro Pajeú.
Levou um bambu,
um doce de umbu,
um pote de angu
e um Bubbaloo.
E pro Pajeú
levou a centopéia
escondida no bambu.

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