Esta obra inova por se dividir em cantos (na verdade, estrofes) com irritantes repetições internas, mas relativamente independentes entre si. A única coisa comum a todos eles é a referência à centopéia no final de cada um deles.
A Odisséia da Centopéia
Canto I
Dona Mauricéia,comendo geléia
no meio da assembléia,
viu uma centopéia!
Foi uma paranéia!
Gritou: "esta mocréia
desta centopéia
é uma seborréia!"
E tacou-lhe a geléia!
Riu-se toda a platéia,
pois dona Mauricéia,
que se dizia atéia,
e sofria de apnéia,
julgava que geléia
era panacéia
pra veneno de centopéia.
Canto II
Pastava a vacajunto com a macaca.
De repente, cai uma jaca
com cheiro de inhaca
sobre o lombo da vaca.
Mas que urucubaca!
A irritada vaca
culpou a macaca
por conta da jaca.
A pobre macaca
estava de ressaca
e nem viu a faca
que a louca vaca
sacou da casaca.
Por conta da jaca
fedida a inhaca,
morreu a macaca.
Ganhou uma placa,
sobre uma estaca
onde se destaca
(além da jaca)
uma centopéia
vestida de vaca.
Canto III
O urubufoi pra Caruaru
dançar Maracatu.
Comeu um sururu,
com cajá-umbu;
deu-lhe um buruçú!
O pobre urubu
ficou todo nu,
procurando caju
num mandacaru.
Comprou um baú,
de um sapo cururu
e foi pro Pajeú.
Levou um bambu,
um doce de umbu,
um pote de angu
e um Bubbaloo.
E pro Pajeú
levou a centopéia
escondida no bambu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário