quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cuca maluca

Cuca maluca,
cuidado com a Cuca!
Ela cutuca,
com a mão na cumbuca.

Lá vem a Cuca,
portando bazuca.
Ela machuca,
cutuca e futuca.

Cuca maluca,
Lelé da cuca,
Velha caduca
Que não mais educa,
Cutuca e catuca,
Batuca e cavuca,
Cuca maluca!

Cuidado com a Cuca,
a Cuca maluca.
É tão mixuruca!

Dona Cuca,
Cuca maluca,
de Ipojuca.
Cuidado com a Cuca!
A cuca machuca.

Jogando sinuca,
sempre retruca:
parece mutuca!

Fungando na nuca,
parece tchutchuca.
Mas é arapuca!
Cuidado com a Cuca!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dentes Pendentes

Dentes pendentes,
pendentes como serpentes.
Dentes proeminentes,
salientes e contundentes.

Dentes impertinentes,
salientes como vertentes.
Dentes complacentes,
irreverentes e adolescentes.

Dentes tão pendentes
que todas as gentes
queriam-nos inexistentes.

Dentes indecentes,
subsistentes e reincidentes,
dentes de Tiradentes.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Soldado Viado

Soldado viado,
deixe de requebrado!
Só vive agarrado
com macho barbado!

Soldado folgado,
Aviadado.
Se acha arrojado,
soldado, coitado.

Soldado assanhado,
deixe de rebolado!
Tão desnorteado,
só vive agarrado
com marombado.

Soldado barbado
só pega viado!
É inapropriado
Para um soldado
viver transviado.

O Gigante Impressionante

Era um gigante impressionante!
De voz tonitruante,
hálito repugnante,
bafo de fumante,
semblante broxante,
olhar lacrimejante!
O gigante repugnante
tão extravagante
como uma cartomante,
tão acachapante
como um elefante,
pedante como um basculante,
era um amante
exorbitante.
O gigante arrogante,
viajante ambulante,
ia sempre adiante
elegante e saltitante...
Pobre gigante galante!
Feio como um mutante,
De feição repugnante,
repulsivo como purgante,
ou como um mau comerciante,
Inobstante
se julgava interessante.
É chocante!
Era um gigante impressionante!
E o que é mais importante
na história do gigante,
é ser perseverante,
vigilante e constante,
pois se mesmo o gigante
pode ter atenuante,
tomar anabolizante
pode ser reconfortante.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Soneto do preto

O preto do espeto
queimado como um graveto;
o preto do galeto
esquecido e obsoleto.

O preto do amuleto
e do vencido boleto;
O preto do sulfeto
e do hidrocarboneto.

O preto que é todo preto,
destacado num folheto
de venda de cianeto.

O preto do esqueleto
que compôs este soneto
prum dueto no coreto.

A bomba que ribomba

Ribomba a bomba!
Parece uma pitomba,
mas estronda como uma maromba
quando ribomba.
A bomba tomba
e tudo arromba
quando ribomba.
É tromba!
É bomba!
Voa como uma pomba,
mas quando tomba
a bomba ribomba
e tudo arromba.

Manuela era donzela

Manuela era donzela,
amarela e magricela,
ninguém olhava pra ela!
E ela
passava os dias na janela
sem nenhuma cautela
esperando uma piscadela
dirigida para ela.
Todos a chamavam de Manuela Vuvuzela.
Que novela!
Manuela era donzela
magricela e amarela,
e ninguém olhava pra ela!
Um dia largou a janela
e foi cuidar da panela.
Comeu galinha cabidela,
sopa de beringela,
costela e moela na tigela.
Queria uma piscadela,
uma furtiva olhadela,
quem sabe uma apalpadela!
Manuela que era bela,
De tanta cabidela,
Ficou redonda como uma rodela,
Rechonchuda como uma mortadela,
e ninguém lhe dava trela.
A vida é uma novela!
Manuela,
que era bela,
Deixou de ser magricela,
Não deixou de ser donzela.

A caravela amarela

Oh como é bela
A caravela
Amarela!
Quisera navegar nela!
Seu nome é Anabela
E ela é bela
Como uma beringela;
Amarela
como uma remela;
Veloz como uma gazela!
Infinita como uma janela
aberta sobre uma favela!
Viciante como novela,
Gostosa como mortadela,
Magrela como uma donzela
Amarela e bela...
A caravela...
Queria viver nela!